RECORDAR PARA MELHOR COMPREENDER

RECORDAR PARA MELHOR COMPREENDER

Bob Dylan: compositor, tocador, cantor e escritor

E por tudo isto é também o primeiro nobel da literatura a receber semelhante distinção no mundo da música. Robert Allen Zimmerman, é o seu nome de nascença, mas desde cedo quis ser Bob Dylan em homenagem ao poeta Dylan Thomas, de quem devorava todos os poemas que dele apareciam. De Minnesota deu o salto para Nova Yorque onde conheceu o cantor-activista Woody Guthrie. Cantou-o até mais não e aos poucos entrou no estilo dos blues e do folk. Como ele próprio afirmou "quem quer compor canções deveria escutar tanta música folk, estudar a sua forma e estrutura e todo o material que existe desde há 100 anos". A Academia Sueca concedeu a distinção ao músico “por ter criado uma nova expressão poética dentro da grande tradição americana da canção”. E bem pode dizer-se que está certa a academia pois é o mesmo Bob Dylan que se gosta de ver pertencente a uma irmandade de escritores cujas suas raízes estão no country puro, no blues e na estirpe folk de Guthrie, da família Carter, Robert Johnson y dezenas de "baladistas" escoceses e ingleses.

Marsuilta associa-se à distinção da academia sueca e traz à memória letras de várias canções de Bob Dylan, bem como uma entrevista que concedeu em 2004 e ainda outros link´s onde se pode conhecer o mundo de Dylan. Enquanto dele se escreve, ele continua a dar concertos e a escrever diariamente, um hábito que guarda desde há muito tempo.

http://elpais.com/diario/2004/05/01/babelia/1083366381_850215.html?rel=mas

http://bigslam.pt/noticias/homenagem-do-bigslam-ao-vencedor-do-premio-nobel-de-literatura-de-2016-bob-dylan/

http://cultura.elpais.com/cultura/2016/10/13/actualidad/1476381455_398709.html

http://observador.pt/especiais/bob-dylan-esta-do-lado-certo-da-historia/

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ACONTECE, ACONTECEU OU VAI ACONTECER



Ciclo de cinema no CCB - Lisboa

Próximos filmes: 18 março O LEOPARDO Luchino Visconti (1963)
14 abril OS DEZ MANDAMENTOS Cecil B. DeMille (1956)
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Carlos Paredes - Evocação e Festa da Amizade

Esta evocação realiza-se no dia 19 de Fevereiro, pelas 15 horas, na Salão d' A Voz do Operário, em Lisboa e é organizado pela Associação Conquistas da Revolução.

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Tertúlias em Ciência

Céu e Mar "Making of", acontece no dia 15 de fevereiro, pelas 17 horas (C4.piso3).

Esta sessão promovida pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem a responsabilidade organizativa de Pedro Ré.

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Vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa - Séculos XX e XXI. esta é a nova exposição que está patente de terça a domingo no museu nacional de arte contemporânea, em lisboa.

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XXI Exposição de Pintura e Escultura

Esta exposição que mostra obras de vários artistas de arte contemporânea portugueses vai decorrer no Clubhouse do Golfe, nos dias 11, 12 e 18 e 19 de Fevereiro, aos sábados e domingos, das 12h00 às 20h00. A organização está a cabo do Belas Clube de Campo, do Banco Populare a daPrivate Gallery .

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

aos 93 anos morre o arquitecto nuno teotónio pereira

nuno teotónio pereira foi mentor de uma arquitectura popular, empenhou-se socialmente através da sua profissão, figurando como pessoa de destaque contra o estado novo. na sua obra ganhou destaque a sua transformação daquilo que eram os modelos de bairros sociais. marsuilta deixa aqui o testemunho da jornalista ana sousa dias, para quem o arquitecto "era o mestre que catalisava a criatividade e as ideias novas e que não concebia o trabalho sem partilha".




O arquiteto Nuno
O ateliê dele na Rua da Alegria era conhecido como "a sacristia". Todos passaram por lá, arquitetos ou não, por aquelas salas onde se desenhava à mão em estiradores de tampo inclinado. Nuno Teotónio Pereira era o mestre que catalisava a criatividade e as ideias novas e que não concebia o trabalho sem partilha. Todos passaram por lá, como recorda Ana Tostões no texto que lhe dedica, nomeando alguns dos que foram colegas e discípulos, sempre tratados como pares. Faziam arquitetura e muito mais, pensavam as novas ideias do modernismo e da vida, juntos porque era das várias vontades e reflexões que tudo nascia. Sempre de cigarro aceso, Nuno Teotónio falava numa voz metálica, com uma lentidão particular e tenaz, sem palavras ao acaso. Era uma enciclopédia que apetecia ouvir, um sábio sem segredos nem vaidades. O que ele fez enquanto arquiteto está resumido nas páginas de Artes deste jornal, com testemunhos de alguns dos muitos que o admiraram. Perdeu a fé já quando passava dos 50 anos, crítico da hierarquia da Igreja de então, ele que conhecia os melhores e os piores recantos e doenças do país. Fez habitação social com um respeito notável pelos moradores e é quase uma homenagem poética que o Prémio Pritzker deste ano tenha sido, há poucos dias, atribuído a um outro homem dessa causa, o chileno Alejandro Aravena. Ajudou a traçar novos bairros como Alvalade e os Olivais e, com Nuno Portas, levou ao sublime a simplicidade na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde vai ficar hoje para que possamos despedir--nos. Ver as imagens dele a sair da prisão de Caxias na noite de 27 de abril de 1974 ou a discursar ao lado de Soares e Cunhal naquele primeiro 1.º de Maio é recordar como este homem especial fez da liberdade o valor maior de uma vida inteira. Aquele que aos 18 anos tirou o H do nome Theotónio e iniciou um caminho que pôs todos, novos e velhos, a tratá-lo apenas por Nuno.
cronica escrita no DN 21 jan.2016- pode ler aqui

deixamos também o que no jornal público (cultura ípsilon) foi publicado sobre a morte do arquitecto nuno teotónio pereira ler aqui

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Investida reaccionária na ordem do dia - América Latina na encruzilhada

A contra-ofensiva geral dirigida desde Washington contra os processos progressistas na América Latina alcançou, finalmente, resultados de monta, com previsível repercussão na correlação de forças ao nível regional e mesmo mundial. artigo escrito por luís carapinha

Nas eleições presidenciais na Argentina, a vitória por magra vantagem do candidato assumidamente neoliberal, Macri 1, na segunda volta, disputada a 22 de Novembro, encerra 12 anos de Governo peronista do chamado kirchnerismo 2. Na Venezuela, a braços com uma complexa conjuntura económica, agravada pela longa baixa do petróleo, e o desgaste provocado por campanhas permanentes de agressão económica, confirmou-se o êxito eleitoral da coligação antibolivariana nas legislativas de 6 de Dezembro. A sua expressão na nova Assembleia Nacional superou, contudo, o previsto. Os 112 deputados afectos à MUD 3 correspondem ao patamar de maioria qualificada de dois terços no parlamento de 167 lugares, conferindo amplas prerrogativas de iniciativa legislativa e institucional às forças da contra-revolução 4. Inaugura-se, deste modo, uma nova fase da grande confrontação representada pelo processo libertador e anti-imperialista, vivido na Pátria de Bolívar nos últimos 16 anos. Cabe reparar que, apesar dos elementos inovadores trazidos pela Constituição bolivariana e o modelo de democracia participativa, a experiência e escopo da revolução venezuelana não almejou transcender o quadro institucional da representação burguesa. Realidade que não surpreende, se atendermos, não só, à influência conservada por sectores economicamente poderosos, mas, sobretudo, ao facto de a revolução bolivariana constituir um processo transformador por completar e aprofundar.
 
Entretanto, no Brasil o presidente da Câmara de deputados, Eduardo Cunha – indiciado por suspeitas de corrupção –, deu seguimento no dia 2 de Dezembro ao pedido de abertura de um processo de impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff, reeleita em 2014 por 54 milhões de brasileiros. Acção que carimba os planos golpistas acalentados pela grande burguesia, que demonstra impaciência e um apetite voraz em ajustar contas e recuperar terreno perdido, para voltar a concentrar na plenitude os comandos do poder político. Estes desenvolvimentos colocam em risco o trajecto de 30 anos de «construção democrática» que sucedeu ao período da ditadura militar no gigante sul-americano (1964-1985). Na mira da direita brasileira e do imperialismo figura, igualmente, a orientação externa do Palácio do Planalto imprimida sob a direcção de Lula e Dilma, mormente, o compromisso com o desenvolvimento dos espaços de cooperação multilateral, tanto no plano continental das Américas – a CELAC, UNASUR e o próprio MERCOSUR –, como à escala internacional mais ampla. É o caso, nomeadamente, da participação do Brasil no espaço do BRICS 5, cuja consolidação causa profunda inquietação aos interesses e agenda do grande capital transnacional e aos poderes dominantes da Tríade capitalista no mundo (EUA, UE e Japão).
 
Não é, pois, coisa pouca o que está em causa nas batalhas travadas pela soberania e o progresso social na América Latina e Caraíbas, nesta nova fase que se abre de resistência e recomposição de forças, visando a salvaguarda das conquistas e avanços alcançados.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

marcelo rebelo de sousa o "herdeiro" malabarista

Desde 1973 que conta as histórias que quer, como quer, explicando Portugal como se fosse como ele diz, mas que não passa de um país que ele inventa semanalmente a seu gosto. artigo escrito por manuel loff.


Ele é, por definição, um herdeiro. Filho de dirigente salazarista que, com 53 anos em 1974, havia feito todo o cursus honorum da ditadura (Mocidade Portuguesa, deputado, subsecretário de Estado, governador colonial, ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) foi “educado para ser político”, como escreve o seu “biógrafo consentido”, Vítor Matos (VM), que assim se autodefine no livro de 2012 onde reúne informação preciosa obtida do próprio biografado, e que aqui citarei. Marcelo é um herdeiro – não apenas no sentido estrito de primogénito de uma das figuras mais típicas dessa elite de funcionários fiéis que Salazar e Caetano recrutavam, cuja legitimidade repousava exclusivamente na lealdade para com o Chefe, mas também como produto (e produtor) de uma universidade classista que, na definição de Pierre Bourdieu (1964), é “a própria instância de reprodução dos privilégios e da preservação dos interesses dos herdeiros”. A tal ponto MRS se terá sentido a vida toda um herdeiro que logo aos 27 anos (1976) quis escrever as suas memórias. A maioria delas não eram suas mas sim daqueles de quem ele era herdeiro. “Tinha conhecido o salazarismo por dentro e vivera o marcelismo, lançara o Expresso, estivera na fundação do PPD e vivera a Constituinte. Tinha histórias para contar.” (VM, 319)
“Se havia gente que o achava afilhado de Caetano” - e não o era, por falta de vontade deste - “ele deixava achar”, assegura o padre João Seabra (VM, 86). Desde os “10 ou 12 anos” que o pai Baltazar o leva a assistir aos lanches de sábado no restaurante A Choupana, em S. João do Estoril, onde Caetano, afastado do governo em 1958, reunia os marcelistas indefetíveis enquanto fazia a sua travessia do deserto que só terminará com o AVC de Salazar. “Ouvir horas de discussão entre seniores do regime podia ter injetado em Marcelo o talento para para a intriga por detrás do pano. (…) O pai empenha-se em instruí-lo nos meandros do regime” (VM, 87-88). MRS descreve a experiência como “uma escola”, e é revelador que ache que “os comportamentos políticos não são muito diferentes em ditadura ou em democracia[,] as amizades, as inimizades, as traições, a atração do poder” (cit. VM, 91). Aos 20 anos, senta-se à mesa de todos os jantares oficiais do Governo Geral de Moçambique assumido pelo pai desde 1968. Quando Caetano sobe ao poder, janta uma vez por semana com ele. O adolescente a quem nunca faltou inteligência e intuição para o poder empenhou-se a fundo nessa “educação para ser político”, isto é, um futuro hierarca do regime; há quem se lembre no Liceu ouvi-lo dizer que um dia queria ser Presidente do Conselho (VM, 91). Muito jovem, assumirá os discursos e os temas de “exaltação nacionalista” do salazarismo dos anos 60: critica “a falta de amor pátrio daqueles que, direta ou indiretamente, (…) se divertiram neste Carnaval de 1962”, semanas depois da perda de Goa e em plena guerra em Angola. “Mais do que uma vilania foi uma afronta, uma verdadeira declaração de traição”. Em 1963, conclui uma redação escrevendo: “Pobres das nações que não têm filhos que lutem por elas e para elas!...” (cit. VM, 88-90) É surpreendente que, anos depois, não tenha feito a guerra em África. E teria tido tempo: acabou a licenciatura em 1971 e o Curso Complementar de Político-Económicas em 1972.
No liceu foi “nacionalista” (e o termo não lhe repugnava ainda há poucos anos atrás), mas muitos outros envolveram-se no movimento estudantil do secundário, transitando diretamente para a oposição aberta à ditadura nas universidades. Fazer opções destas aos 15 anos pode ser pouco representativo; na universidade, fazem-se com consciência, e Marcelo voltou a escolher a direita salazarista que queria fazer o “combate ideológico ao marxismo” (Freitas do Amaral, cit. VM, 120); na crise académica de 1969, “participa nas manifestações públicas de apoio à ditadura” (VM, 143). Nas eleições desse ano, momento de consciencialização política de tanta gente da sua geração, tem 21 anos e apoia, de novo, o partido único. (Até Cavaco, na sua autobiografia, dirá que terá votado na CEUD de Mário Soares – mas, claro, o voto é secreto...) “Ninguém se lembra de afirmações de Marcelo contra a guerra ultramarina”, garante VM. Com o pai ministro do Ultramar, não é de estranhar, admitamos. O que é completamente exótico é Leonor Beleza, sua colega e também filha de subsecretário de Estado da ditadura, achar hoje que “na época era cómodo estar de um lado ou do outro. Não pertencer a um grupo nem a outro e estar no meio era mais incómodo.” (cit. VM, 154) Da “comodidade” dos estudantes presos, torturados e mandados para a guerra por a ela se oporem, Beleza parece lembrar-se pouco... Em 1970, com Beleza e Braga de Macedo, Marcelo fura a greve académica na faculdade. E reúne-se com o novo ministro Veiga Simão para lhe dar “informações” sobre as “movimentações académicas” (VM, 164). É este, aliás, que lhe dá o seu primeiro emprego, no Ministério da Educação, em gabinete dirigido por Adelino da Palma Carlos, outro filho de subsecretário, que o tentara atrair repetidamente para o Opus Dei.
É verdade que manifesta publicamente o seu ceticismo relativamente à viabilidade da Reforma Educativa que Simão quer levar a cabo: “a verdadeira democratização do ensino (…) parece-me impossível no quadro de um regime autoritário e antidemocrático”, escreve ele em 1971 (cit. VM, 186), o que leva Caetano a exigir a Veiga Simão que o despeça. Mas não é despedido. Campeão da ambiguidade, o já jovem assistente de Direito não desiste de procurar o perdão de Caetano. Em 1973, já no Expresso, e já abortada pelo próprio ditador a Primavera marcelista, pede desculpa a Caetano pela “vivacidade” dos seus 24 anos e garante que “sempre estive na convicção” de que os “meus princípios não se opunham à pessoa de V.Exa”, cuja “presença na Chefia do Governo” volta a elogiar, prometendo-lhe “[inequivocamente] afastar-me do que possa ser entendido como atividade política ostensiva” (cit. VM, 226). A mãe, que do filho espera o cumprimento do destino de um herdeiro, intercede repetidamente por ele junto de Caetano (VM, 227-29). Em janeiro de 1974, dele escreve Artur Portela Filho: “Era o filho pródigo do Regime. (…) Estava talhado, calibrado, destinado” (cit. VM, 232).

o sono, os seus ritmos e o segredo da melatonina

como também é hábito marsuilta apresenta nas suas publicações temas diversos entre os quais vários ligados à ciência. hoje apresentamos uma entrevista a teresa paiva, a maior especialista da medicina do sono, em portugal e entre as maiores a nível internacional. o segredo da melatonina no sono, os ritmos, o tempo, a luz e a nossa saúde vão estar em destaque.


Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono, participou no princípio deste mês no programa “Ponto de Partida” da Antena 1, apresentado por Eduarda Maio, que teve como tema “os poderes da melatonina”.

                                            teresa paiva

“A melatonina tem um ciclo inverso do ciclo da temperatura do corpo. Enquanto a temperatura desce durante a noite, até às quatro da manha, a melatonina começa a ser produzida a partir das oito horas da noite e sobe até às quatro da manhã”, disse Teresa Paiva.
A especialista explicou em pormenor estes mecanismos. “O nosso ritmo biológico mais estável é o ritmo da nossa temperatura corporal e essa temperatura tem um ritmo que é bifásico, o que quer dizer que no fim do dia começa a descer, tem um mínimo em redor das quatro da manhã e depois começa a subir, alcançando o máximo à hora do almoço. A seguir há um mínimo relativo que coincide com o nosso período de propensão para a sesta, começando a descer até à noite.
 
A melatonina é hipnogénica e circadiana mas não nos faz dormir. É como se fosse um sincronizador para todo o corpo de que são horas de dormir.
Se à uma da manhã mantivermos a luz acesa ou estivermos a trabalhar com um computador cheio de luz ou outro dispositivo electrónico , a melatonina é bloqueada e o nosso sistema  fica altamente  perturbado. Tal como um desportista que dá muitas quedas e lesiona o joelho, se fizermos muitas agressões deste género, há a tendência para deslizar o adormecer para horas cada vez mais tardias e o nosso sistema pode ficar danificado.”
 
Os ritmos circadianos são mais antigos que o sono
 
Os ciclos e ritmos circadianos foram outro assunto em debate. Teresa Paiva considera que “os ciclos circadianos colocam-nos em sincronia com o Planeta Terra, com a noite e o dia. É preciso não esquecer que somos animais diurnos, ao contrário, por exemplo, da coruja do mocho, do rato. Estamos feitos para sermos animais diurnos, a parte nuclear do nosso dia tem que ser diurno. É um sistema que foi aperfeiçoado ao longo de milhões de anos”
Em relação aos ritmos circadianos, a especialista referiu que estes “são mais antigos  do que o sono, pensa-se que apareceram há muitos milhões de anos  nas bactérias azuis,  as cianobactérias, que existiam nas pocinhas à superfície da terra. Estas bactérias perceberam que quando se multiplicavam durante o dia, a divisão corria mal e começaram a reproduzir-se de noite. Os ritmos circadianos, que hoje existem nas plantas, nos animais, nas bactérias  estão na origem da vida, existem desde o princípio da vida.”
Teresa Paiva falou ainda da evolução da ciência nesta matéria:  “até há pouco tempo descrevia-se apenas o relógio circadiano que existe no hipotálamo. Hoje sabe-se que estamos cheios de relógios internos, periféricos, no sangue, nos pulmões, no baço, relógios internos para nos sincronizar.”
A especialista considera essencial esta sincronização:  “Nós somos animais altamente sincronizados.  A regularidade, na alimentação, nas horas de deitar e levantar, é essencial ao nosso equilíbrio.
A extrema variabilidade de hábitos faz com se desregulem os relógios internos, biológicos e o organismo tem de fazer um grande esforço para se  adaptar.  Estas alterações também afectam o funcionamento hormonal.   No principio da noite produzimos hormonas anabolizantes, a hormona do crescimento, a prolactina, a testosterona, também hormonas que nos dão o equilíbrio auto-imune. No fim da noite, produzimos hormonas catabolizantes, o cortisol que nos dá energia.
Quanto há grande variações, quando não temos horários, as células devem ficar descontroladas, deve haver hesitações entre as nossas hormonas , vou eu ou vais tu, quem é que vai hoje…”
As consequências para a saúde podem ser muitos graves, segundo Teresa Paiva:  “O crescimento, essencial para a reparação dos tecidos, é afectado. A produção de leptina e grelina também fica desregulada, o que contribui para o aumento do apetite.  A testosterona diminui nos homens. Doenças ainda mais graves como o  cancro, o  Alzheimer, alterações cognitivas diversas também podem ocorrer”
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

a mentira e a hipócrisia de marcelo na farsa da estabilidade bancária

um vídeo e uma fotografia que mostram como marcelo rebelo de sousa é falso e hipócrita na sua intervenção política. que ninguém tenha dúvidas que votar em marcelo é continuar cavaco com mais sorrisos e simpatia.




tão amigos...
vídeo com trecho da entrevista de marcelo rebelo sousa à tvi sobre a estabilidade da banca

sábado, 16 de janeiro de 2016

A década da Bolívia

A revolução na Bolívia celebra este mês o 10.º aniversário em ambiente de campanha para o referendo de 21 de Fevereiro sobre a proposta da emenda constitucional de reeleição por dois mandatos do presidente e vice-presidente. crónica de luís carapinha


Evo Morales chegou ao Palacio Qemado a 22 de Janeiro de 2006, tornando-se o primeiro Presidente de origem indígena da América do Sul. Uma vitória do Sim no referendo do próximo mês permitiria a Morales recandidatar-se em 2019 a um terceiro mandato, contado a partir da aprovação da Constituição de 2009. O referendo boliviano tem lugar num momento complexo para as forças progressistas e revolucionárias na América Latina. Contudo, importa reter que o país do Altiplano é palco de um dos processos de transformação mais marcantes dos últimos anos na região. No curto espaço de uma década impressionam, em particular, os avanços económicos e sociais alcançados, fruto de opções políticas e medidas acertadas que se situam nos antípodas do receituário do FMI e desígnios exploradores do grande capital – por exemplo, em vez de privatizações, foram nacionalizados sectores estratégicos da economia. O resgate dos instrumentos da soberania, a redução significativa da pobreza e das desigualdades, o saneamento das contas públicas, o incremento do investimento estatal e o aumento sustentado do PIB são alguns dos elementos mais salientes da folha de serviços do processo emancipador boliviano. Perante a evidência dos números, nem as agências do imperialismo se atrevem a negar os sucessos económicos alcançados pelo Executivo de La Paz. Embora a comunicação social dominante continue a optar, com raras excepções, pelo silenciamento da experiência boliviana. As acções para desestabilizar e derrubar a revolução boliviana vão prosseguir.
 
O actual processo na Bolívia possui raízes históricas e populares profundas, em que pontificam a revolução de 1952 e o governo progressista de Juan Torres no início dos anos 70 (que caiu às mãos da Operação Condor). O triunfo do Movimento ao Socialismo (MAS) nas presidenciais de 2005 foi o corolário de anos de intensas batalhas sociais. Bastará recordar as extraordinárias jornadas de mobilização popular de 2003, da «guerra do gás», em torno da reivindicação da exploração dos recursos naturais ao serviço do país e das populações, que enfrentaram a repressão feroz do governo neoliberal de Sánchez de Lozada, acabando por levar à sua demissão e fuga para os EUA, onde por sinal permanece. Em 2008 o imperialismo tentou executar um golpe de estado que passou, inclusive, por um cenário de divisão territorial do país. O embaixador dos EUA foi desmascarado e expulso da Bolívia. A conspiração da Meia-Lua, liderada pela grande burguesia de Santa Cruz, foi derrotada. A firmeza do governo, o apoio popular e o papel das forças armadas afiguraram-se determinantes. A derrota da reacção abriu portas à consolidação da implementação do «modelo económico social comunitário produtivo – cuja concepção não supõe a supressão imediata das relações capitalistas de produção, mas a transição gradual para uma economia socialista. Modelo assente numa economia mista em que o Estado chama a si o papel dirigente, cabendo um importante papel às pequenas e médias empresas e ao movimento cooperativo. A Agenda Patriótica 2025 traça como principais metas da etapa actual a erradicação da pobreza extrema, a universalização dos serviços básicos, a soberania alimentar e a industrialização.
 
A promoção do mercado interno e a redistribuição da riqueza produziram resultados palpáveis na última década boliviana. A reacção tenta recompor forças, apostando nos factores de divisão interna no campo do poder. A decisão de 2014 da principal central sindical, a COB, de «reencontro entre operários, camponeses e indígenas para defender e aprofundar (...) o processo de mudança» foi qualificada de «facto histórico». Um factor de confiança para as duras batalhas que se vislumbram e o devir da revolução boliviana.
luís carapinha- jornal avante 14 jan.2016

 
 



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Concerto pela Paz no Porto

Decorreu no passado Sábado, dia 9 de Janeiro, o magnífico Concerto pela Paz, que esgotou o Teatro Municipal Rivoli, no Porto. Organizado pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, nele participaram inúmeros artistas e associações culturais da zona do Porto, num total de mais de 200 pessoas que actuaram em palco.

Foram numerosas as crianças e jovens do Bando dos Gambozinos, dirigidos por Susana Ralha, e da Orquestra Juvenil da Bonjóia com o grupo de danças africanas, acompanhados ao piano por Ana Maria Pinto, até aos coros de professores (Grupo Vocal Canto Décimo e Coro Vox Populi) dirigidos por Guilhermino Monteiro, um dos responsáveis pela organização do Concerto, aos jovens do Balleteatro, as jovens Cantadeiras do NEFUP e o Coral de Letras da Universidade do Porto, acompanhado ao piano por Fausto Neves, e dirigido pelo seu maestro de sempre José Luis Borges Coelho. Mas o Concerto pela Paz contou também outras intervenções de grande qualidade, destacando-se a pianista Joana Resende e a cantora lírica Ana Maria Pinto, a jovem guitarrista Mafalda Lemos, os artistas João Lóio e Regina Castro e o cantor e pianista Jorge Palma, que culminou o Concerto com grande entusiasmo do público que manteve o Rivoli lotado durante três horas de espetáculo.




O Concerto foi apresentado pela actriz Rebeca Cunha e teve ainda um momento de poesia do escritor e poeta José Pedro Gomes e a intervenção de Ilda Figueiredo, que, em nome do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), de que é presidente da Direcção Nacional, saudou e agradeceu calorosamente aos artistas e associações presentes naquele magnífico Concerto pela Paz, salientando que a sua realização só foi possível com o empenhamento de todos os artistas e grupos que ali intervieram. Agradecimento também extensivo à Câmara Municipal do Porto, com quem o CPPC estabeleceu um protocolo de cooperação, ao seu Pelouro da Educação, ao Teatro Municipal Rivoli e aos seus técnicos que, em conjunto com o CPPC, montaram o espectáculo e a exposição, patente no átrio do Rivoli, dos belos trabalhos sobre a Paz elaborados por alunos de escolas do Porto.

O CPPC irá realizar outras iniciativas dando particular atenção às actividades de educação e do desenvolvimento de uma cultura de Paz, de que é exemplo este Concerto pela Paz, sem dúvida um marco muito importante nas actividades do CPPC, a que se seguirá um outro Concerto pela Paz, a realizar no próximo dia 18 de Março, no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia, em colaboração com a respectiva autarquia e colectividades.

intervenção de ilda figueiredo -presidente da direcção nacional do CPPC

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ucrânia: um ano de desesperança e futuro sombrio

El año 2015 significó para el Estado de Ucrania y toda la institucionalidad del país un período de un extenso letargo de desesperanza y miseria. análise da situação na ucrânia por Vladislav Gulevich - prensa latina.

Basta remitirse al nivel de desempleo entre la juventud, la principal fuerza laboral de cualquier nación, superior al 20 por ciento, en tanto se disparó la cifra de trabajadores migrantes ilegales hasta un 41 por ciento. Unido a ello, ocurre un proceso de desindustrialización.
Es lamentable constatar que cientos de miles de ucranianos están prestos a buscar un sustento digno en cualquier país, ante la primera posibilidad.
Asimismo, más de dos millones de connacionales se convirtieron en refugiados o desplazados internos a causa del conflicto armado. La mayoría procede del Donbass (sureste de Ucrania), donde continúa la confrontación, pese a que las autoridades oficiales de Kiev achacan tal situación a "la agresión rusa", cuando el grueso de los ucranianos huye de las penurias económicas precisamente hacia Rusia.
De acuerdo con el Servicio Federal de Migración de Rusia, en territorio de la Federación se encuentran cerca de dos millones 500 mil ciudadanos de Ucrania, de los cuales un millón son originarios del Donbass -las regiones de Donetsk y Lugansk, "tradicionalmente pro rusas".
El resto, que representa un universo de un millón 500 mil personas, son refugiados de otras regiones de Ucrania, incluidos hombres jóvenes que huyen de las oleadas de alistamiento en el Ejército, en la mayoría de los casos hacia los territorios en conflicto.
La campaña propagandística del gobierno ucraniano apoyada en eslóganes patrióticos y el falso mito de que "el enemigo está a las puertas" y "Hora de levantarse en defensa de la Patria", es totalmente un fracaso.

El llamado al servicio militar sigue siendo una movilización forzosa. No existen prácticamente voluntarios deseosos de dar la vida y su salud por una inclusión violenta del Donbass dentro de Ucrania. Al mismo tiempo, en las repúblicas autoproclamadas independientes el alistamiento es voluntario.
Para inicios de 2016, el Ministerio de Defensa de Ucrania planea llevar a cabo la séptima oleada de movilización desde que estalló la operación a gran escala del ejército regular, en abril de 2014, para sofocar la resistencia en el sureste del país.
Como regla, son movilizados muchos de quienes fueron alistados al Donbass durante las tres primeras concentraciones, en la etapa de mayor beligerancia.
El Ejército nacional, empero, exhibe un bajo nivel de preparación militar y organización. De acuerdo con un informe del Ministerio de Defensa, las pérdidas fuera de combate dentro de las tropas ucranianas en las zonas de conflicto durante 2014 y 2015 ascendieron a 597.
De esa cifra, 171 soldados cometieron suicidios y 90 fueron víctimas de asesinatos premeditados (64 por colegas de filas); 39 por envenenamiento; 119 en accidentes de tránsito y 66 a causa de descuidos en el manejo de armas.
Engrosan las estadísticas, de otro lado, las bajas en combate. El ministerio castrense estima las pérdidas en dos años de guerra en dos mil 27 efectivos muertos, número que no se corresponde con la realidad sobre el teatro de operaciones.
Durante el verano y el otoño de 2014, el ejército ucraniano sufrió una serie de derrotas demoledoras. Hubo innumerables ocasiones en que los soldados cruzaron hacia territorio ruso en procura de protección, al huir de los golpes de los milicianos.
Informaciones transmitidas por la televisión local dieron cuenta sobre el destino de los oficiales que permitieron a la soldadesca huir a Rusia y fueron llevados a los tribunales por Kiev, tras su retorno al país.
ler artigo na íntegra aqui

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

maestro, compositor e ensaísta pierre boulez morre aos 90 anos

foi em baden-baden, na alemanha onde boulez morava, que morreu um gigante e nome incontornável da música clássica. quase um século de vida de uma personalidade que mudou a música erudita, mas também como ensaísta, na opinião de antónio pinho vargas, "Jalons e Leçons de Musique são livros extraordinários, dos melhores livros sobre música jamais escritos, e de uma notável qualidade literária".




deixamos aqui a notícia que saiu no DN - 6jan 2016 e também um vídeo com algumas passagens de Boulez como maestro, uma entrevista que deu também ao diário de notícias a 4 de maio de 2003, em lisboa e um vídeo com uma entrevista sua de 2012 em que aborda a composição.

Na primavera passada, o mundo da música engalanou-se para receber os 90 anos de Pierre Boulez (26 de março era a data). Com os 80, e já antes com os 75, passara-se algo de similar, mas a subida da fasquia etária criava uma sensação de urgência face ao inelutável, que as condições de saúde precárias - e a cegueira, que o afastara desde 2013 da vida musical ativa - reforçavam.
Anteontem aconteceu, enfim, o que se adivinhava. Quase 91 anos completos é quase um século e a vida de Pierre Boulez marcou o seu século (o XX) e o início do nosso. Com Boulez estamos diante da personalidade mais marcante e influente que a música da tradição erudita ocidental conheceu desde o final da II Guerra Mundial. Como compositor, como maestro, como pensador, Boulez moldou o tempo em que viveu. Ele surgiu como porta-bandeira das vanguardas musicais do pós-II Guerra Mundial, expondo a sua veia de polemista e enfant terrible da nova (então) criação musical. O inesperado é que Boulez se viria a tornar, paradoxalmente, um verdadeiro spiritus rector da nova música, transportando essa aura para a sua atividade de chefe de orquestra, que foi adquirindo preponderância com o tempo - embora não tenha nunca deixado de compôr (tinha uma prática muito peculiar do conceito de work in progress), como também não de pensar a música.
António Jorge Pacheco, diretor da Casa da Música, fala do "fim de uma época". Conheceu Boulez na Porto-2001 e lembra "a sua enorme abertura de espírito e curiosidade intelectual". A comprovar a primeira, recorda quando respondeu: "O último Verdi, mas agora já é tarde para mim" à pergunta do compositor que lhe faltava dirigir. E lamenta o grande "quase" que foi o Porto para Boulez: "ele aceitou ser Artista em Residência na Casa da Música em 2012", o que a deterioração da sua saúde viria a impedir; e o que poderia ter sido um verdadeiro happening: "ele disse que queria dirigir o Remix Ensemble e fazer com eles a estreia mundial da versão final de Répons [obra maior de Boulez] na Casa da Música"!
"Répons e Rituel in memoriam Bruno Maderna são obras-primas absolutas, inquestionáveis", responde o compositor António Pinho Vargas, questionado sobre as obras de Boulez que mais admira. Mas a sua admiração estende-se aos outros domínios de atividade do francês (António haveria de dizer: "tiro o chapéu às suas três facetas"...): "Jalons e Leçons de Musique são livros extraordinários, dos melhores livros sobre música jamais escritos, e de uma notável qualidade literária" que fazem de Boulez "um pensador de um patamar extraordinário". E do maestro refere "a excelência reconhecida" que pôde verificar nos "vários concertos dirigidos por ele a que assisti ao longo da minha vida".
Mais crítico é Pinho Vargas em relação ao "homem que em determinado momento pareceu ter excesso de poder" e que "teve um estatuto e autoridade tais que a sua mundivisão individual se tornou numa partilhada por toda a gente na música contemporânea", e isto a uma escala "quase universal".
Várias facetas no homem, também, portanto, que, juntas fazem Boulez "pairar como um gigante na segunda metade do século XX", alguém que "marcou o seu tempo como nenhuma outra personalidade pode reclamar para si".
Critica "a velocidade com que desaparecem das salas de concerto por todo o mundo as obras de Berio, Ligeti, Stockhausen, Xenakis, Nono", esperando que as de Boulez não sofram o mesmo destino.
"Conhecemo-nos em 1991, quando eu cheguei ao IRCAM [Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique, criado em Paris, em 1977]", recorda Risto Nieminen, diretor do Serviço de Música da Gulbenkian [que dirigiu o IRCAM]. Surpreendeu-o no primeiro almoço: "só falou de gastronomia e de coisas normalíssimas. Nada de música"; dentro do IRCAM: "tratava todos por igual, fossem simples funcionários, fossem cientistas, sempre caloroso e sociável"; no trabalho: "a mente dele estava sempre ativa e, se era perfeccionista nos ensaios, era também muito paciente e compreensivo". Fala de um compositor "para quem não havia uma obra definitiva, fixada. A obra, para ele, tinha vida e podia sempre expandir-se, como algo orgânico; era um processo, não um ato".
A última vez que se viram "foi em novembro de 2012, em Paris, num concerto. Estava já muito alquebrado e parecia ausente, quase em torpor, mas bastava um 'impulso' para mostrar a lucidez de sempre!"
Felizes nós, que fruímos tão longamente da sua intensa luz. Requiescat in pace.
Pierre Boulez esteve em Portugal, a instâncias da Fundação Gulbenkian, nos anos de 1985, 1990, 1999 e 2003 (assistimos às três últimas datas) e, no Porto, em 2001, sempre na companhia do seu Ensemble InterContemporain [ensemble residente do IRCAM]. Mas em 2003, visitara meses antes (a 1 de maio) a Igreja dos Jerónimos, onde dirigiu o Concerto da Europa da Orquestra Filarmónica de Berlim, tendo por solista Maria João Pires. Foi aí que nos encontrámos, minutos antes do concerto (a que também assistimos). Boulez esteve sempre muito descontraído, cordial e disponível, adotando um tom conciliatório face à sua "fase incendiária" juvenil; e o costumeiro tom perentório e objetivo face a tudo o resto.
 
vídeo com boulez em actuação como maestro
 
 
 
 
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

à descoberta do historiador Eric Hobsbawm

o grande historiador e pensador do século XX, eric hobsbowm, morreu há quatro anos, mas o seu pensamento é vivo e por isso urgente e necessário conhecer. aqui deixamos um testemunho de luís carapinha, escrito logo após a sua morte, e também outros através de vídeos que abordam a sua obra na perspectiva de outros historiadores e dele próprio em entrevistas realizadas.

como ele próprio afirmava faz todo o sentido o questionar do futuro porque aquilo que se faz no passado tem continuidade nesse futuro onde queremos chegar a soluções que façam com que o ser humano viva melhor. já no início deste século XXI hobsbowm alertava para o perigo do aumento das desigualdades sociais porque criam tensões e enorme instabilidade que levam a rápidas explosões e quedas dramáticas.estas transformações rápidas e imprevisíveis serão certamente aproveitadas politicamente por governos reaccionários - racismo, xenofobismo, fundamentalismo económico e religioso, como aliás temos vindo a verificar nos tempos de hoje.
 
vivas estão pois as suas palavras, principalmente as do final da sua autobiografia, quando hobsbowm escreve que o "mundo não vai melhorar se não tentarmos lutar por um mundo melhor, não podemos desistir". por isso também o trouxemos até aqui.
 
 
 
Eric Hobsbawm: marxismo e história. 02.10.2012, 15h37, Vermelho. Luís Carapinha
 
O historiador marxista Eric Hobsbawm, que se despediu da vida na madrugada da segunda-feira (1º) disse, certa vez, sentir-se em casa na América Latina. “É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem – a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo”, disse. Podia ter acrescentado, no mesmo sentido: é o lugar da revolução do século 21.
A frase tem sentido. Sua história pessoal se confunde com a do século 20, o pequeno século 20 como ele o caracterizou, compreendendo-o entre os limites temporais da Revolução Russa, de 1917, ao fim da União Soviética, em 1991. Ele foi testemunha pessoal, quando rapaz, da ascensão do nazismo na Alemanha, experiência determinante para sua adesão ao marxismo e ao comunismo, e fundamento de sua convicção da necessidade da revolução. Assistiu ao desastre da 2ª Grande Guerra e, historiador consequente, encarou a vitória soviética sobre as forças de Hitler como o acontecimento basilar para explicar a história do século 20 e também para valorizar a experiência soviética de construção do socialismo, apesar dos erros que houveram.
Foi o maior historiador de nosso tempo, solidamente baseado num método do qual nunca se afastou. Não aderiu a modismos e, quando o fracasso da construção do socialismo no Leste Europeu levou tantos intelectuais para o outro lado das barricadas, abandonando o pensamento avançado, Hobsbawm surpreendeu a todos, mantendo-se fiel ao pensamento herdado de Marx e Engels e, mais do que isso, atribuindo a ele, corretamente, a condição de único método capaz de permitir a compreensão profunda e correta daqueles acontecimentos.
O marxismo foi, para ele, ferramenta conceitual não apenas para o exame das condições da revolução mas também para compreender a própria evolução, suas contradições, avanços e recuos. E também instrumento teórico essencial para compreender a natureza e as transformações do próprio pensamento marxista. A tarefa do historiador, disse certa vez, não é meramente descrever os acontecimentos, mas explicar como e porque o mundo muda, e não há outro instrumento capaz de cumprir esta tarefa senão o pensamento marxista.
Os livros que deixou – entre eles uma monumental História do Marxismo, que coordenou – tiveram o objetivo de concretizar esta explicação e apoiar a ação transformadora. São imprescindíveis justamente por cumprirem a exigência básica da concepção materialista da história: olhar a vida em sua integridade, incorporar à análise a multiplicidade dos aspectos em que ela se expressa: econômicos, políticos, sociais, culturais, ideológicos, etc.
Esta é a base dos elogios que fez à América Latina, ao Brasil pós-Lula, ao próprio Lula, a experiência cubana e a seu líder, Fidel Castro. Esse elogio decorre da compreensão de que a revolução assume formas sempre renovadas, e não se detém, apesar da aparência conjuntural de recuo.
É também o fundamento de sua convicção da atualidade e vitalidade do marxismo enquanto pensamento avançado e transformador, e da necessidade da superação do capitalismo por outra forma, mais avançada, de organização da sociedade. Ele foi, à sua maneira, um militante dessa transformação e colocou todo seu esforço intelectual (expresso em dezenas de livros) a serviço dela. “Não existe esperança reduzida hoje. O que digo agora é que os problemas do século 21 exigem soluções com as quais nem o mercado puro nem a democracia liberal pura conseguem lidar adequadamente. É preciso calcular uma combinação diferente. Que nome será dado a isso não sei. Mas é bem capaz de não ser mais capitalismo, não no sentido em que o conhecemos aqui e nos EUA”, disse, há dois anos, em uma entrevista ao britânico The Guardian.
Foi um historiador e um homem de seu tempo. Seus escritos serão cada vez necessários para quem quiser compreender as mudanças vividas pelo mundo desde a revolução francesa de 1789 até as contradições e conflitos do século 20 e o limiar da nova luta pelo socialismo, no início do século 21. Foi um gigante do pensamento voltado para a ação transformadora.
 
 
serão aqui disponibilizados alguns dos livros de eric hobsbowm em pdf como também outros vídeos (zona de vídeos neste blog)
livro em PDF era dos impérios
livros era dos extremos e era das revoluções

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

eduardo lourenço vence prémio vasco graça moura

Eduardo Lourenço ensaísta e filósofo de 92 anos foi o primeiro vencedor do prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural. este prémio  é uma iniciativa da Estoril-Sol em parceria com a editora Babel - que deverá ser anual - constitui uma homenagem ao poeta que morreu em 2014.



                                          ORLANDO ALMEIDA/GLOBALIMAGENS
 
Acabara de ser anunciado ao público que vencera a primeira edição do Prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural. Era hora de almoço. Eduardo Lourenço, quase alheado, de certo modo denunciando a sua vasta experiência, lança ao telefone: "Cheguei agora mesmo ao restaurante, ainda por cima estava fechado." O filósofo e ensaísta de 92 anos tornou-se o primeiro galardoado com o prémio instituído em memória do homem que ontem teria feito 74 anos.
Os louvores podem não ser uma novidade para Lourenço, já distinguido com o Prémio Camões (1995) e Pessoa (2008) - para nomear dois por entre um rol infindável. Mas este, com o valor de 40 mil euros, uma iniciativa da Estoril-Sol em parceria com a editora Babel - que deverá ser anual - constitui uma homenagem ao poeta que morreu em 2014. E isso é "uma grande honra".
"Realmente começo a estar habituado. Mas seria uma grande arrogância da minha parte não ficar honrado com este prémio. Para qualquer pessoa que recebesse um prémio com o nome do poeta e homem de ação que foi o Vasco Graça Moura, [este] seria para ele uma grande honra, um grande prazer e uma grande alegria. É o meu caso."
Tanto mais porque o conhecia e admirava. "Fui amigo dele, devo--lhe imenso. Admiro-o por ele ser o grande poeta que é, ficcionista, homem de ação - coisa rara - e também um grande tradutor, cosmopolita, um homem do Renascimento, um espírito muito corajoso, um verdadeiro mosqueteiro das Letras portuguesas."

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

mário laginha e bernardo sassetti e o poema talvez

mais um ano finda e um novo entreabre-se sendo imperioso recomeçar. esta é a certeza a que se junta o talvez desse amanhã. recordemos a nossa memória colectiva.


(excerto do poema talvez)

 
talvez um dia

o passado se torne futuro

e o futuro não seja este passado

onde gente de alma nua

tropeça na palavra dignidade.

talvez na manhã desse dia

gritem os pássaros como homens vitoriosos

aos senhores de um tempo resistente

que abrindo os braços ao mar e ao céu
 
destroem a mentira e nos devolvem a liberdade.


                                             grândola vila morena

domingo, 27 de dezembro de 2015

A LEBRE, A TARTARUGA, OS LIMÕES, OS CAVALOS E OS FRIGORÍFICOS

Detesto os rankings das escolas. Esopo e La Fontaine, mestres da simplicidade, precisariam de juntar à volta destas listagens muitos e variados animais e ainda assim não conseguiriam dar conta da complexidade e da exasperante impossibilidade de fazer comparações. crónica escrita por Ana Sousa Dias - 20 dez.2015 notícias magazine


Posso usar, por exemplo, a velha fábula da lebre e da tartaruga. Todos sabemos a história que valoriza a persistência e a responsabilidade – o «partir no momento certo» – da pesadona tartaruga que derrota a excessiva confiança da leviana lebre, dotada de um corpo que lhe dá velocidade e destreza. Todos conhecemos pessoas mais ou menos assim e já observámos situações idênticas ou que nos fazem recordá-la. Compliquemos a coisa. Juntemos na mesma corrida os outros animais que os dois fabulistas adotaram, diferentíssimos entre si, mais diferentes ainda do que a rápida lebre e a lenta tartaruga. E vamos dar a cada um o seu próprio ponto de partida, e deixá-los competir a andar, a correr, a saltar, a voar, a nadar, a rastejar. Aí está a fábula que poderia ilustrar os nefastos rankings, que nos falam apenas da chegada à meta dos resultados escolares. Há expressões populares para esta possibilidade, como «misturar alhos com bugalhos» e outras que me abstenho de citar.
Logo no início da aprendizagem da mais elementar aritmética ficamos a saber que se adicionarmos seis limões a três cavalos, a soma é seis limões e três cavalos. Vá lá, nove produtos da natureza com ADN extremamente parecido (como havemos de saber mais tarde) mas ainda assim seis limões e três cavalos, sem margem para dúvida. Se lhes juntarmos sete frigoríficos, então o máximo denominador comum será mais difícil de descortinar. Teremos no final seis limões, três cavalos e sete frigoríficos, dezasseis, vá lá, coisas que dificilmente alinhamos na mesma frase.
Volto a dizer: detesto os rankings das escolas, a injustiça implícita nisto de avaliar apenas o ponto de chegada sem ter em conta o ponto de partida nem o caminho nem o modo. Claro que isso não me impede de ir bisbilhotar as listas para verificar onde andam as escolas que por alguma razão conheci, espreitar nomes com aquela curiosidade inconsequente com que folheio páginas que me falam de casamentos faustosos, de escândalos inventados e outras peripécias para as quais há de haver fábulas menos piedosas. La Fontaine, aliás, escreveu uma série de historietas com que caricaturou e desmascarou as gentes da época, muitas delas envolvendo padres e freiras. No final da vida, hélas, rejeitou-as a conselho do padre confessor.
Compreendo o desejo de dar aos filhos as melhores oportunidades, e entre elas a melhor escola. Sim, compreendo. Mas a vida não é só isso, e de certeza que não é isso que está na base da ideia da escola para todos. Não estou a falar de universidades, isso é toda uma outra história. Podia contar exemplos que vivi pessoalmente, uns dolorosos outros divertidos, patéticos até, mas isso não seria mais do que chover no molhado. Professores que não esquecerei, por bons e maus motivos, cumplicidades e inimizades, tropelias e disparates. E o mesmo multiplicado por três filhos com as suas histórias e ziguezagues.
Detesto os rankings das escolas. Detesto, pronto. E assim de repente lembro-me dos Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner. A vida não está nos clichés e nas versões oficiais. Felizmente é muito mais rica e complicada. E às vezes maravilhosa.
 
 
 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

passos coelho tem de se explicar

Se ainda é muito cedo para avaliar o mérito ou a inevitabilidade da solução encontrada pelo governo para o Banif, já vai sendo tarde para Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque apresentarem justificações cabais para as gravíssimas acusações que lhes foram feitas por António Costa e Mário Centeno. artigo de opinião de João miguel tavares - jornal público em 22 de dezembro 2015.

As declarações do primeiro-ministro e do ministro das Finanças não permitem segundas interpretações: eles garantiram que o anterior governo sabia há mais de um ano da necessidade de resolver em definitivo o problema do Banif, preferindo arrastar os pés, por razões que se supõem eleitoralistas, o que fez aumentar significativamente o custo da operação.
A serem verdadeiras tais acusações, nem Passos Coelho, nem Paulo Portas, nem Maria Luís Albuquerque deveriam voltar a ser ministros – é tão simples quanto isso. Uma intervenção que pode chegar aos 3 mil milhões de euros num banco do tamanho do Banif é uma absoluta obscenidade, bem mais grave, em termos proporcionais, do que a intervenção no BES. Convém recordar que a 16 de Outubro, numa entrevista à TVI que gerou um mar de críticas, António Costa afirmou: “Em cada encontro que tivemos [nas negociações com a coligação PaF] foram deixando cair uma nova surpresa desagradável, que se vai tornar pública um dia.” Costa não quis esclarecer que surpresa era essa, mas quando o jornalista lhe perguntou se se tratava de algo de “grande gravidade económica”, António Costa respondeu que sim. Disse também, noutra frase que deu brado, que havia “um limite para a capacidade do Governo omitir e esconder ao país dados sobre a situação efectiva e real em que nos encontramos.”
Logo no dia seguinte, Assunção Cristas foi à TVI lançar fortíssimas críticas sobre António Costa, acusando-o de “falta de seriedade e honestidade intelectual”. Afirmou não saber de que “surpresas desagradáveis” António Costa estava a falar, garantindo que as contas do governo a que pertenceu “são transparentes, auditadas”. Disse ainda: “Talvez António Costa esteja a lembrar-se dos governos de que fez parte e que escondiam, à boa moda socialista, contas e dívidas debaixo do tapete. Mas não vai encontrar nada disso.” E depois de tantas, tão bonitas e tão indignadas garantias, eis que nas vésperas de Natal os contribuintes portugueses são informados de que há uma nova conta de 2,255 mil milhões de euros para pagar. Diante disto, diria que a expressão “surpresa desagradável” peca apenas pela excessiva modéstia.
Poderá ser isto apenas um passa-culpas do PS para o governo anterior, sem qualquer sustentação factual? Tenho as maiores dúvidas, até porque as primeiras reacções do PSD e do CDS não me descansaram nem um bocadinho. Bem pelo contrário. O deputado do PSD António Leitão Amaro, numa atrapalhada intervenção, afirmou que falta ao partido “informação relevante” para opinar sobre a venda do Banif, um caso de amnésia selectiva digno de investigação médica tendo em conta que até há três semanas era o seu partido a liderar o processo. E o deputado do CDS Nuno Magalhães, que só falou porque não podia ficar calado, remeteu uma posição do partido para a comissão de inquérito. Tamanha prudência dos dois partidos da oposição perante um caso tão grave não augura nada de bom. Será que Passos Coelho e Maria Luís fizeram o melhor possível na gestão do caso BES para acabarem a fazer o pior possível na gestão do caso Banif? Demasiado triste para ser verdade.

domingo, 20 de dezembro de 2015

morrem diariamente 500 crianças por falta de água na áfrica subsariana

La falta de agua segura y condiciones de sanidad e higiene causa la muerte diaria de 500 niños menores de cinco años en África subsahariana, advirtió hoy el Fondo de Naciones Unidas para la Infancia (Unicef).

Según una nota de prensa de la agencia, las 180 mil muertes anuales de pequeños en una de las regiones más empobrecidas del planeta se producen por diarrea y otras enfermedades vinculadas con los problemas de acceso al agua.
"El fallecimiento diario de niños y las afectaciones a millones en una zona tan golpeada económicamente, no pueden tratarse como algo usual", alertó el director regional de Unicef para África Occidental y Central, Manuel Fontaine.
El funcionario llamó a acelerar todos los programas en marcha para África subsahariana.
De acuerdo con datos de la ONU, cerca de la mitad de los seres humanos golpeados por la falta de acceso a fuentes mejoradas de agua vive en esa región, donde en los últimos 25 años se duplicó la población.
Sin acciones urgentes, la situación pudiera empeorar en las próximas dos décadas, afirmó Unicef.
El Fondo señaló como gran dificultad las 700 millones de personas que carecen de condiciones de sanidad y el incremento notable, respecto a 1990, de las que defecan al aire libre, un escenario muy relacionado con las afectaciones a la salud.
Unicef invitó a 24 gobiernos de la región a coordinar con inversores, bancos, organizaciones internacionales, negociantes y expertos para encontrar mecanismos dirigidos a enfrentar el problema.
En ese sentido, abogó por un aporte anual estimado en hasta 30 mil millones de dólares, de cara a garantizar el acceso universal al agua y la sanidad en África subsahariana.
 
informação veiculada pelas nações unidas a 15 dezembro 2015, imprensa latina (PL)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A luta de classes vai-se intensificar: a vigésima eleição

A direita comemora o triunfo nas eleições legislativas de 6 de dezembro na Venezuela. O Presidente Maduro e o Grande Polo Patriótico (GPP) reconheceram de pronto o resultado anunciado pela autoridade eleitoral, saudando a vigência da Constituição bolivariana de 1999. artigo escrito por luís carapinha

 
Coisa que a visceralmente golpista MUD (mesa de unidade democrática), que condensa a reação venezuelana e os interesses da grande burguesia vassala de Washington, não fez no passado. Pelo contrário.
 A sua participação no golpe de estado derrotado de 2002 está profusamente documentada, tal como o instigar permanente das campanhas de ódio contra o poder popular. Foi assim nas eleições presidenciais de abril de 2013, após a morte de Chávez, em que a MUD não reconheceu a vitória de Nicolás Maduro e novamente enveredou pela violência criminosa que custaria a vida a perto de meia centena de venezuelanos. Com a presente eleição, passam 17 anos desde a primeira vitória de Hugo Chávez nas presidenciais venezuelanas, a 6 de dezembro de 1998. Desde então, na estranha “ditadura” vivida na pátria de Bolívar, como há anos a fio é pintado e matraqueado pela subversão informativa dominante, tiveram lugar 20 eleições nacionais (entre presidenciais, legislativas, regionais e autárquicas, referendos constitucionais e revogatórios, Assembleia Constituinte).
O campo bolivariano saiu vitorioso em 18 dos 20 atos eleitorais. Porém, seria pouco acertado retirar importância ao desaire eleitoral agora sofrido pela revolução venezuelana, primeira derrota em eleições legislativas. Um revés cuja avaliação aturada caberá fazer às forças revolucionárias bolivarianas. Salta à vista que a votação da MUD supera largamente a base social da oligarquia e burguesia venezuelanas. Por outro lado, parte do campo popular que apoia o processo bolivariano absteve-se de votar. As massas têm revelado uma disponibilidade quase incansável de mobilização ao longo destes 16 anos. Contudo, nas urnas acabaram por se expressar os efeitos do desgaste social resultantes da continuada política de chantagem, desestabilização e agressão econômica – agravado pela baixa do preço do crude – de que é alvo o poder de Caracas por parte do imperialismo. O que não obsta à necessidade de encarar os sérios problemas, limitações e deficiências no plano interno.

domingo, 13 de dezembro de 2015

cimeira de paris alcança acordo

um dia depois do esperado, 195 países assinaram o acordo que poderá ser histórico se os objectivos propostos forem de facto cumpridos. uma das metas mais importantes é conter a subida da temperatura do planeta a 1,5 graus.

a universalidade deste acordo é por muitos citado como o grande triunfo da cimeira que se realizou nos arredores de paris - em  le bourget. se recordarmos quioto, em 1997 apenas 37 países rectificaram o protocolo que afirmava a diminuição da emissão dos gases com efeito de estufa como medida a concretizar. este acordo agora alcançado entrará em vigor em 2020 e cada país terá até maio de 2017 de ratificá-lo. foi estabelecido como data simbólica o dia da terra - 22 de abril próximo, para abertura formal à subscrição dos países. para passar a ter força legal, tem de ser ratificado ou aceite por pelo menos 55 nações, representando no mínimo 55% das emissões globais de gases com efeito de estufa.o acordo contra o aquecimento global apresenta partes que legalmente são vinculativas, como por exemplo, a elaboração de planos ao nível de cada país e a sua monitorização e revisão, enquanto que as metas inscritas naqueles planos não o são. o acordo estabelece que em cada cinco anos tem que haver essa revisão.
o saldo entre as emissões produzidas com efeito de estufa e a sua remoção da atmosfera através dos chamados sumidouros (ex: florestas) terá que ser nula até 2050, embora uma das grandes criticas a este acordo, é precisamente a falta de uma data concreta para este redução. o acordo alerta para os países atingirem o pico da emissões o mais cedo possível, o que significa que a partir daqui os combustíveis fósseis utilizados terão que forçosamente que descer. ler na íntegra acordo climático- cimeira de paris 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

cimeira do ambiente em paris (des) espera acordo

após 11 dias de debate e discussão em torno dos problemas e soluções para as questões climáticas que como se sabe estão truncadas com as questões da economia e políticas governamentais seguidas. haverá vontade política para aplicar as medidas correctas, urgentes e necessárias?

a discussão decorreu toda a noite e espera-se a todo o momento que surja uma proposta de acordo final. o ministro do meio ambiente da áfrica do sul, edna molew, delcarou em nome de mais de 130 nações em desenvolvimento, que faltou força legal para obrigar os países ricos a fornecer novos fundos ou tecnologia.
os 195 países que participam na conferência conseguiram reduzir consideravelmente o número de pontos pendentes no texto contra a mudança climática. O documento passou de 43 a 29 páginas e a quantidade de opções foi reduzida .
jennifer Morgan, directora do programa de clima do instituto de recursos mundiais referiu, a propósito do texto que o mesmo prevê que os "100 mil milhões de financiamento serão insuficientes a partir de 2020. mas, infelizmente, os países não têm realmente intenção de dobrar o esforço financeiro.” perante este cenário duvidoso de que surja de facto um acordo assinado por todos os países que modifique as políticas em prol da humanidade, centenas de manifestantes realizaram um protesto perto de paris contra o projecto de acordo, que consideram insuficiente e exigem medidas mais ousadas dos líderes mundiais.
 
                                                                 Um participante na cimeira do clima com uma réplica do planeta Terra
                                                                  REUTERS/Stephane Mahe
 

o que se passou em venezuela?

após as eleições de 6 de dezembro temos deixamos uma reflexão sobre as causas da vitória do Mud e a derrota do partido de nicolás maduro. hoje continuamos esta análise com outra reflexão, desta vez por alfredo mancilla, que aparta os resultados das eleições parlamentares em duas ideias: a não superação de uma situação económica adversa, e a uma falha na mensagem veiculada, mais virada para o passado do que para o futuro. não se soube lançar ao povo uma expectativa económica e financeira melhor.

No es momento de poner paños calientes. No valen las excusas. Se perdió. El revés electoral es innegable. El chavismo será minoría en la Asamblea Nacional en Venezuela. Ha obtenido 55 diputados; la opositora Mesa de Unidad Democrática (MUD), 109; y otros 3 serán representantes indígenas. Eso sí, la diferencia en votos es muy grande: la MUD habría alcanzado un total de 7.707.422 de votos (56,5%) y el PSUV 5.599.025 de votos (41,0%). A pesar de los cantos de sirena de los demócratas de medio pelo, el presidente Nicolás Maduro reconoció los resultados. Lo del fraude quedó rápidamente condenado al olvido. Como viene siendo habitual, la derecha regional solo usa esta arma arrojadiza cuando los resultados no son los que ellos desean. Esperemos que a partir de ahora, luego de comprobarse que en Venezuela siempre se respetan los resultados, ganando o perdiendo, se abandone de una vez por todas el intento injerencista de un determinado sector de la comunidad internacional.
 
Los resultados son evidentes. La derrota exige reflexión. He aquí dos ideas.
 
1. El chavismo no logró superar la situación adversa económica. Lo que para muchos siempre fue viento de cola a favor, ahora es en contra. El precio del petróleo está por debajo de 35 cuando hace más de un año estaba a más de 100. El frente externo económico aprieta también por la vía financiera. A ello se suma una guerra económica que hace sus estragos internamente: inflación y colas para adquirir en ciertos productos básicos. Esto no significa que toda la responsabilidad sea ajena a la acción gubernamental. Son diecisiete años con su respectivo desgaste y sus errores. En política, los milagros no existen. Si la base material económica-social no lo soporta, entonces, el relato y la épica se hace insuficiente. El metabolismo del capital ha sido capaz de imponerse en la nueva economía venezolana. Las razones son muchas. Se impuso el rentismo importador del siglo XXI. La economía real quedó sometida y avasallada por la economía ociosa e improductiva. En este fenómeno, todos tienen responsabilidad: unos más que otros. El sector privado jamás quiso dedicarse a impulsar un nuevo desarrollo productivo. Esta es la tarea pendiente: producir y producir y producir. Y hacerlo con eficacia y eficiencia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

la trampa (eleições na venezuela) por atilio borón

atilio borón, investigador de assuntos da américa latina e caribe apresenta em artigo de opinião uma reflexão das causas da vitória da direita nas eleições parlamentares últimas na venezuela. o foco explorado por borón é questionar se há eleições livres quando são evidentes as ingerências externas, nomeadamente dos eua, ingerências que nas palavras do autor são desavergonhadas e impunemente realizadas sobre aquele país. a par desta imoralidade há que aceitar e reverter os erros cometidos na economia e o fracasso da luta contra a corrupção.

Las elecciones parlamentarias en Venezuela arrojan varias enseñanzas que creo necesario subrayar. En primer lugar que, contrariamente a todas las predicciones de los lenguaraces de la derecha, el comicio se realizó, al igual que todos los anteriores, de una manera impecable. No hubo denuncias de ningún tipo, salvo el exabrupto de tres ex presidentes latinoamericanos, que a las cuatro de la tarde (dos horas antes de la conclusión del acto electoral) ya anunciaban al ganador de la contienda. Fuera de esto, la “dictadura chavista” volvió a demostrar una transparencia y honestidad del acto electoral que más quisieran tener muchos países dentro y fuera de América Latina, comenzando por Estados Unidos. El reconocimiento hecho por el presidente Nicolás Maduro ni bien se dieron a conocer los resultados oficiales contrasta favorablemente con la actitud de la oposición, que en el pasado se empecinó en desconocer el veredicto de las urnas. Lo mismo cabe decir de Washington, que al día de hoy no reconoce el triunfo de Maduro en las presidenciales del 2013. Unos son demócratas de verdad, los otros grandes simuladores.
 
Segundo, resaltar lo importante de que luego de casi 17 años de gobiernos chavistas y en medio de las durísimas condiciones prevalecientes en Venezuela, el oficialismo siga contando con la adhesión del cuarenta por ciento del electorado en una elección parlamentaria. Tercero, el resultado desplaza a la oposición de su postura facilista y de su frenético denuncialismo porque ahora, al contar con una holgada mayoría parlamentaria, tendrá corresponsabilidades en la gestión de la cosa pública. Ya no será sólo el gobierno el responsable de las dificultades que agobian a la ciudadanía. Esa responsabilidad será de ahora en más compartida. ler artigo completo

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

eleições para a assembleia nacional na venezuela deram vitória ao partido da direita - MUD

quase escrutinados os 100% dos votos o partido de direita, mesa unidade nacional, (Mud) elegeu 99 deputados para a assembleia nacional contra 46 do Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv), do presidente nicolás maduro.

a presidente da comissão nacional de elições, tibisay lucena, em conferência de impressa referiu que houve uma “participação extraordinária” de 74,25% nas eleições parlamentares de domingo e já foram contabilizados 96,03% dos votos, sendo as tendências “irreversíveis”. faltam, portanto, ainda eleger 22 cargos. tibisay explicou ainda que o Mud conseguiu maioria parlamentar e que obteve 72 deputados na modalidade nominal e 27 por lista; por sua vez o Psuv obteve 24 nominais e 22 por lista. Lucena comentou ainda que entre os cargos não eleitos ainda estão as as circunscrições do estado Amazonas, 1; 2, 3 y 4 em Aragua; 4 em Carabobo; 1, 2 y 3 em Guárico; 2 em Lara; e 1 em Monagas. Na modalidade de lista faltam ainda no estado de Mérida, assim como também nas circunscrições indígenas do oriente, ocidente y sul do país. finalizou regozijando-se, e contrariamente à campanha levada a cabo principalmente por agentes exteriores ao país, por estas eleições terem sido transparentes, limpas, confiáveis e com uma grande qualidade.
 
maduro apelou à luta do povo
 
após conhecidos os resultados que garantiram a vitória ao partido de oposição, o presidente da Venezuela, nicolás maduro, falou ao povo, apelando para que neste momento adverso ao seu partido e projecto, para que não esmureça e retome novos impulsos no país. desde o palácio de Miraflores, em Caracas, agradeceu ao grande pólo patriótico pelo trabalho realizado durante a campanha eleitoral. a nova etapa que agora se perspectiva requer e exige mais qualidade política e acção junto do povo, como principal estratégia.

domingo, 6 de dezembro de 2015

assad afirma que ataques britânicos são apoio ao terrorismo

foi peremptório o presidente da síria bashar assad em entrevista ao sunday times quando afirmou que os ataques dos britânicos no seu país não fazem outra função se não apoiarem o terrorismo.

"Será prejudicial e ilegal, e será um apoio ao terrorismo", disse Assad, em referência aos bombardeios autorizados pelo parlamento britânico.
"Não se pode derrotar (o Daesh) somente com bombardeios aéreos. Não se pode derrotá-lo sem cooperar com tropas em terra. Não se pode derrotar se não tiver a aprovação do povo e do governo sírios", reiterou o chefe de estado.
ao invés assad elogiou a rússia, dizendo que a sua acção é legal porque foi solicitada pela própria síria e tem sido eficaz porque é coordenada com o governo e povo sírio. o presidente da síria chegou mesmo a admitir que o apoio da rússia protege a síria mas também a própria  europa.


Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20151206/2984014/assad-bombardeios-britanicos-siria-apoio-terrorismo-russia-protege-europa.html#ixzz3taOWbk9D

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

reis da sobrevivência

vídeo musical muito interessante com a interacção dos bosquímanos, povo que habita o sul de angola e parte da namíbia. Em angola também conhecidos por "Mucancalas" ou "Kamussequeres".

considerado dos povos mais adaptados à sobrevivência devido às condições extremamente áridas e inóspitas do deserto do Kalaari.
como uma das suas característica está a forma de falar com estalidos da língua.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

venezuela vai a eleições no próximo domingo

o presidente do partido socialista unido da venezuela nicolás maduro afirma : para consolidar la paz del país debemos dar una victoria admirable el 6D.

El presidente del Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv), Nicolás Maduro, ratificó este miércoles que la forma de consolidar la victoria revolucionaria en las elecciones legislativas de este domingo 6 de diciembre es activando el registro 1x10 en las comunidades de todo el país, con miras a reelegir en las urnas el proyecto bolivariano y democrático que hace 16 años sembró Hugo Chávez.
"Con el 1x10 gana Chávez. No podemos perder ni un día de esta campaña. Para consolidar la paz del país, la estabilidad de la patria, y para avanzar y superar la guerra económica, necesitamos una gran victoria electoral el próximo 6 de diciembre, una victoria admirable, una victoria perfecta", expresó Maduro desde el estado Lara, donde lideró un acto de cierre de campaña electoral de cara a los comicios del domingo próximo. 
En transmisión de Venezolana de Televisión, recordó que un día como hoy, hace 13 años, la derecha venezolana y empresarios aliados iniciaban un plan para impedir el trabajo y sabotear las operaciones petroleras de la nación, con el objetivo de afectar el desarrollo y estabilidad de la economía.
Estas acciones sometieron al pueblo a 63 días de zozobra, situación que fue librada por la fortaleza del pueblo. 
 
                                                                        foto:brSputniknews.com
 
"Hoy se cumplen 13 años desde que un día como hoy arrancara el sabotaje en la industria petrolera. ¿Recuerdan todo lo que nos hicieron sufrir? Nos quitaron todo durante meses: sin gasolina, sin kerosene, sin nada. ¿Y quiénes fueron los responsables de todo esto? La misma derecha de hace 13 años, pero nosotros respondimos con la misma experiencia política, con la misma fuerza moral y ética, espiritual de la Revolución Bolivariana", expresó.
El 2 de diciembre de 2002, miembros de la ultraderecha venezolana —entre los que se hallaban Carlos Ortega, presidente de la Central de Trabajadores de Venezuela (CTV), y también Julio Borges y Henry Ramos Allup, estos últimos aspirantes a ocupar hoy una curul en la Asamblea Nacional (AN)— buscaban generar un segundo golpe de Estado contra Chávez, después de los hechos de abril de ese mismo año.
El plan contaba con el apoyo de la derecha internacional y medios privados, que buscaban llegar al control político por la fuerza, en desconocimiento de la voluntad popular expresada años atrás en las urnas electorales. 
Para el 5 de diciembre ya se había paralizado 60% de la industria petrolera, que había dejado de exportar un millón de barriles de crudo y, con ello, perdido ingresos por 14.600 millones de dólares, al tiempo que los alimentos desaparecían de los anaqueles junto con la gasolina, el gas para cocinar, entre otros productos de primera necesidad, tal como refiere el Informe de gestión y estados financieros de Pdvsa, de 2003. 


notícia retirada da agência venezuelana de notícias - 2 dezembro 2015
link da notícia

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

fabrico de chocalhos é património imaterial da humanidade

hoje, dia 1 de dezembro, na namíbia, por ocasião da 10.ª reunião do comité intergovernamental para a salvaguarda do património cultural imaterial, a decorrer na capital windhoek até sexta-feira, foi tomada a feliz decisão para Portugal do fabrico do chocalho ser património imaterial da humanidade com necessidade de salvaguarda urgente.

foi assim que as nações unidas não tiveram qualquer dúvida nesta decisão que foi tomada em apenas cinco minutos. o fabrico de chocalhos e a sua manifestação têm no alentejo a sua expressão maior em Portugal, embora se contem pelos dedos as pessoas que trabalham e são mestres desta arte. o perigo iminente de desaparecerem os pouco chocalheiros do nosso país foi um dos fortes motivos que levaram as nações unidas a tomarem a decisão de primeiro aprovarem em maio último, a candidatura portuguesa do fabrico dos chocalhos e agora a decisão de a considerarem património imaterial da humanidade. só existem 13 mestres no país e nenhum aluno, pertencendo na sua maioria ao Alentejo, que se vê assim num curto espaço de tempo em festa por ser a "casa" de dois patrimónios imateriais, o cante alentejano e agora o fabrico dos chocalhos. paulo lima, responsável pela candidatura explicou que os chocalhos são como "uma espécie de GPS para o gado" e um "bem imaterial quase invisível"  mas "identitário dos campos e do mundo rural português”, referiu.