E entretanto ficam só as palavras, como vozes longínquas que teimosamente vão mordendo o silêncio que o tempo em si arrasta. (foto bernardo sasseti)
RECORDAR PARA MELHOR COMPREENDER
RECORDAR PARA MELHOR COMPREENDER
Bob Dylan: compositor, tocador, cantor e escritor
E por tudo isto é também o primeiro nobel da literatura a receber semelhante distinção no mundo da música. Robert Allen Zimmerman, é o seu nome de nascença, mas desde cedo quis ser Bob Dylan em homenagem ao poeta Dylan Thomas, de quem devorava todos os poemas que dele apareciam. De Minnesota deu o salto para Nova Yorque onde conheceu o cantor-activista Woody Guthrie. Cantou-o até mais não e aos poucos entrou no estilo dos blues e do folk. Como ele próprio afirmou "quem quer compor canções deveria escutar tanta música folk, estudar a sua forma e estrutura e todo o material que existe desde há 100 anos". A Academia Sueca concedeu a distinção ao músico “por ter criado uma nova expressão poética dentro da grande tradição americana da canção”. E bem pode dizer-se que está certa a academia pois é o mesmo Bob Dylan que se gosta de ver pertencente a uma irmandade de escritores cujas suas raízes estão no country puro, no blues e na estirpe folk de Guthrie, da família Carter, Robert Johnson y dezenas de "baladistas" escoceses e ingleses.
Marsuilta associa-se à distinção da academia sueca e traz à memória letras de várias canções de Bob Dylan, bem como uma entrevista que concedeu em 2004 e ainda outros link´s onde se pode conhecer o mundo de Dylan. Enquanto dele se escreve, ele continua a dar concertos e a escrever diariamente, um hábito que guarda desde há muito tempo.
http://elpais.com/diario/2004/05/01/babelia/1083366381_850215.html?rel=mas
http://cultura.elpais.com/cultura/2016/10/13/actualidad/1476381455_398709.html
http://observador.pt/especiais/bob-dylan-esta-do-lado-certo-da-historia/
__________________________________________________________________ ____________________________________________________________
ACONTECE, ACONTECEU OU VAI ACONTECER
Ciclo de cinema no CCB - Lisboa
Próximos filmes: 18 março O LEOPARDO Luchino Visconti (1963)
14 abril OS DEZ MANDAMENTOS Cecil B. DeMille (1956)______________________________________________________________________
Carlos Paredes - Evocação e Festa da Amizade
Esta evocação realiza-se no dia 19 de Fevereiro, pelas 15 horas, na Salão d' A Voz do Operário, em Lisboa e é organizado pela Associação Conquistas da Revolução.
__________________________________________________________
Tertúlias em Ciência
Céu e Mar "Making of", acontece no dia 15 de fevereiro, pelas 17 horas (C4.piso3).
Esta sessão promovida pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem a responsabilidade organizativa de Pedro Ré.
________________________________________
Vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa - Séculos XX e XXI. esta é a nova exposição que está patente de terça a domingo no museu nacional de arte contemporânea, em lisboa.
__________________________________________________________________________
XXI Exposição de Pintura e Escultura
Esta exposição que mostra obras de vários artistas de arte contemporânea portugueses vai decorrer no Clubhouse do Golfe, nos dias 11, 12 e 18 e 19 de Fevereiro, aos sábados e domingos, das 12h00 às 20h00. A organização está a cabo do Belas Clube de Campo, do Banco Populare a daPrivate Gallery .
_________________________________________________________
quarta-feira, 2 de março de 2016
analisar as eleições dos eua à lupa: que candidatos temos, o que representam e que forças se movimentam
terça-feira, 1 de março de 2016
escritor joão de melo escreve contos sobre vencidos
o escritor português joão de melo foi o vencedor do prémio literário vergílio ferreira, atribuído pela universidade de évora, prémio este que anualmente distingue o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e ou ensaio. o prémio será entregue hoje ao escritor açoriano, que entretanto tem novo livro - um livro de contos sobre os vencidos, que como joão de melo nos diz, " os vencidos somos todos nós no nosso quotidiano". leia aqui a entrevista que o escritor prestou ao diário de notícias.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
"As coisas evoluem investigando, não é acumulando conhecimentos"
antónio coimbra de matos, psiquiatra e psicanalista de 86 anos, especialista no estudo da depressão, defende que na teoria psicanalítica, ele, contrariamente ao que acontecia no passado, dá mais importância ao futuro que ao passado. nos tempos de hoje admite também que estamos a atravessar uma crise colectiva. marsuilta deixa aqui a entrevista que concedeu ao jornal público recentemente.
Entra-se no consultório e dá-se de caras com uma curva do Douro. A vista assombrosa de São Leonardo de Galafura transporta-nos para uma espécie de tempo mítico. Pendurada na parede em frente à porta, aquela fotografia é uma janela para as origens de Coimbra de Matos. Ao longo de duas horas de conversa, o psiquiatra e psicanalista, nascido em 1929, evoca por diversas vezes episódios da infância para ilustrar o que diz. Embora se tenha afastado da importância que a teoria psicanalítica clássica dá ao passado. António Coimbra de Matos é um ávido consumidor da ideia de futuro. A papelada que se amontoa na secretária a que nos sentamos, um de cada lado, revela o tipo de organização muito pessoal de quem privilegia a actividade à arrumação obsessiva. Fuma incessantemente e concede-se a si próprio o tempo necessário para responder a cada pergunta. Como se fosse a primeira vez que algumas das questões se lhe colocassem.
antónio coimbra de matos
Pode-se falar em estados de depressão colectiva?
Pode. A depressão é uma coisa individual mas há situações em que aparecem mais casos depressivos. Em momentos de crise. Como agora.
Diria que estamos a passar por uma depressão colectiva?
Há uma maior incidência de depressões. Em certos momentos podemos falar de uma depressão colectiva. Isso foi muito evidente naquele caso muito falado da France Telecom.
Em que houve uma série de suicídios de trabalhadores da empresa.
Sim. Isso foi muito noticiado.
Há pouco tempo foram divulgados números que revelam um aumento dos casos de suicídio em Portugal.
Sim. Há um trabalho célebre, um trabalho seminal, em que o pai da Sociologia, o Durkheim, verificou que quando há guerras e revoluções a depressão e os suicídios diminuem porque as pessoas se revoltam. Quando as pessoas não se revoltam, é que se suicidam; quando se sujeitam, quando não têm condições para protestar com mais veemência.
Na sua definição, segundo li, o que distingue a depressão normal da depressão patológica é justamente a capacidade de revolta.
Sim.
Em Portugal, não somos lá muito bons nisso, na capacidade de revolta colectiva, pois não?
Não, somos um bocado passivos. Os espanhóis são muito mais agressivos, revoltam-se muito mais.
Sim, nas imagens das manifestações em Espanha ou na Grécia vemos um grau de revolta que não identificamos em Portugal.
Isso é verdade. Noto isso na área científica. Aqui em Portugal, vamos a um congresso e se dizemos: “Não estou nada de acordo com isso” dizem-nos logo: “Foste muito agressivo com aquele tipo”. Isso, num congresso internacional, é a coisa mais banal do mundo e ninguém leva a mal, nem diz que está a ser agredido.
Somos mais susceptíveis?
Sim. E mais delicados, mais medrosos. Somos um país de medrosos.
É a velha ideia dos brandos costumes?
Dos brandos costumes mas também da atitude do poder. O poder em Portugal sempre foi menos violento. Isso não facilita a revolta. O Salazar não matava, mandava prender. Franco matava mesmo e isso cria uma revolta maior.
E considera isso mais negativo do que positivo?
Sim, há uma sujeição maior. Umas vezes é mais negativo, outras vezes mais positivo. A nossa colonização foi muito melhor do que a colonização de outros países, nomeadamente de Espanha.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
a problemática do sono de vários ângulos
marsuilta tem destacado por diversas vezes as questões ligadas ao sono e os problemas que as pessoas podem ter com a privação do sono. aliás o sono é e tem sido sempre motivo de análise tanto na literatura, especializada ou não, como em outras artes. deixamos aqui dois exemplos disso mesmo, uma com uma pintura de vermeer, holandês reconhecido pintor do séc XVII, e outra que liga o sono e a velhice.
os textos são retirados da newsletter isleep
domingo, 21 de fevereiro de 2016
presidenciais nos EUA: sanders "assusta" hillary clinton
depois de bernie sanders ganhar de forma esmagadora a clinton nas primárias de new hampshire, a política e a própria campanha nos eua ganhou novos temas de discussão. como realça heiko khoo, no seu artigo que marsuilta deixa de seguida, sanders veio trazer à campanha temas como os direitos dos trabalhadores, a luta pelas liberdades civis, a liberação sexual, os direitos de bem-estar, a oposição à guerras imperialistas e acima de tudo o ataque feroz a wall street. a ameaça de sanders como possível eleito candidato dos democratas contra todas as expectativas é uma séria ameaça que neste sábado levou um revés e um atenuar do seu impulso com o triunfo de hillary clinton em nevada caucuses. aqui clinton venceu com mais de 52 por cento dos votos, enquanto sanders alcançou um pouco mais de 47 por cento. clinton teve que mudar um pouco o seu discurso imitando um pouco sanders na utilização dos pronomes "nós" e "vós". logo após o seu discurso de vitória clinton disse que a "luta continua" numa alusão ao seu próximo combate, em houston, onde faria um comício.
ler artigo de Heiko Khoo,a 12.02.2016 2016, http://www.china.org.cn/opinion/2016-02/12/content_37774623.htm
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
a investida contra a china
marsuilta apresenta um artigo extremamente importante nos tempos que correm ao explicar a ofensiva que principalmente os EUA e todo o sistema imperialista tem centrado na china, disfarçando deste modo as suas próprias insuficiências e as suas responsabilidades na crise económica mundial do sistema, e culpabilizando a china desta mesma crise. por outro lado, os leitores de marsuilta podem também ver e ouvir um vídeo do autor do artigo que de forma aprofundada explica a transição socialista por que passa já alguns anos a china.
George Soros investiu contra a China no Fórum Económico Mundial de Davos, reunido em Janeiro na estância suíça. Pegando num tema já viral na agenda mediática corporativa global, o agiota bilionário declarou que o cenário de «aterragem violenta é praticamente inevitável» [para a economia chinesa]. Reputado mega-especulador sem fronteiras, venerado pelo mainstream como investidor de sucesso e filantropo – ainda em Dezembro endossou mais um donativo de seis milhões de dólares à campanha presidencial de Hillary Clinton –, Soros encontrou no sobre-endividamento da China a razão profunda da onda deflacionária que ameaça a economia mundial. Depois foi a vez de Christine Lagarde pegar na estafeta da campanha anti-China. Para a directora-geral do FMI, cuja pretensão a um novo mandato, na obscuridade dos bastidores da alta finança mundial, é assombrada pelas inquirições da Justiça francesa e o fantasma do destino pouco abonatório do seu predecessor, Strauss-Kahn, a China ainda poderá evitar uma aterragem violenta se reformar as empresas estatais e intensificar as reformas de mercado. Lagarde e o grande capital querem que Pequim privatize os sectores estratégicos da economia e entregue o yuan à livre flutuação, libertando os instrumentos da política cambial e monetária da alçada do governo e banco centrais chineses. De caminho, difunde-se a falácia de que a desaceleração chinesa (cuja economia cresce a mais do dobro da taxa dos EUA) é a raiz da nova espiral da crise económica global. À medida que continua a subir a turbulência nos mercados financeiros e o edifício monstruoso de activos tóxicos reerguido depois de 2008 ameaça desabar, até a FED dos EUA, sacudindo a água do capote, aproveita para justificar os dilemas da política monetária e decisões sobre as taxas de juro de referência com os ventos nefastos que sopram da China...
Em Pequim a intervenção de Soros não passou despercebida. Sem mencionar o nome do fundador da Open Society, o primeiro-ministro da China, Le Keqiang, qualificou de «absurdas» as alegações contra a economia chinesa. Mais incisivo, um artigo de opinião de Mei Xinyu, investigador ligado ao Ministério do Comércio da China, publicado no Diário do Povo, acusou Soros de declarar «guerra à China», aludindo à «pressão especulativa» dirigida contra as moedas asiáticas, principalmente o yuan (People's Daily Online, 27.01.2016).
A proeminência e preeminência de personagens do calibre de Soros na cúspide do sistema dominante são reveladoras do tempo volátil que vivemos e da própria estrutura e dinâmica do capitalismo e da sua crise. Certamente, os usurários da grande finança não enjeitarão qualquer oportunidade para pescar em águas turvas e continuar a amassar novas fortunas com a especulação cambial e bolsista. Mas a investida contra a China da Wall Street e as pressões desestabilizadoras para socavar a credibilidade da sua economia e do yuan são essencialmente elementos da estratégia que identifica na China um adversário vital.
As contradições da transição económica chinesa, rumo a uma economia ancorada no vasto mercado interno, com menos peso das exportações, são assumidas pela direcção chinesa. O grande capital transnacional, acossado pela contracção das taxas de lucro e a dívida insanável dos EUA, tudo arriscará para tirar partido da maior exposição chinesa aos factores perniciosos da integração na economia mundial ainda sob hegemonia do imperialismo. Convém estar atento, mas também não confundir a nuvem com Juno. É a propriedade pública que mantém o alto comando da economia chinesa, inclusive, conduzindo o sector e investimento privados. O yuan já é a 3.ª moeda de reserva internacional e a China o maior credor mundial, desempenhando um papel central na profunda rearrumação de forças que reflecte a trajectória de decadência da Tríade imperialista no mundo.
O pivot para a Ásia do Pentágono e a política de pressão e cerco à China são no fundo um perigoso sinal de desespero e medo.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
O bom desporto
Se a nossa imprensa desportiva nunca se interessou verdadeiramente pelo Desporto, os “desportistas portugueses”, que leem, veem e ouvem desporto ainda menos. É um ciclo vicioso difícil de quebrar na medida em que mexe com aquilo que cada uma das partes pede – mais jornais vendidos e mais futebol fora das quatro linhas. Mas certo é que continuamos a falar de programas desportivos, imprensa desportiva. Todavia, de Desporto enquanto área abrangente nas suas finalidades (educativas, políticas, psicossociais, rendimento, formação, etc.) fala-se e escreve-se muito pouco.
Do que se fala, na minha opinião, é do mau Desporto. Daquele Desporto em que, uma vitória nunca é justa, uma derrota que é sempre culpa de alguém, a tensão é sempre combustível explosivo para comportamentos tempestuosos, a manipulação arma da vitória, o confronto verbal fogo de dispersão, as apostas desportivas a essência do jogo, os conflitos entre agentes desportivos o provincianismo competitivo, a violência a materialização de tudo o resto. Tudo isto preenche a lista de ingredientes de uma ideia economicista e competitiva onde ganhar menos vezes é caminho para ser último (embora ganhar sempre ainda esteja para acontecer).
E se ainda quisermos falar em mais Desporto podemos transportar muito do que acima referi para o Desporto Juvenil. Neste contexto as más decisões dos árbitros são culpa do presidente da associação, as dificuldades técnicas do jogador que cai é culpa daquele que está em pé e onde outro ciclo vicioso ganha raízes – Queremos agir, como os adultos, no desporto para crianças e falamos desse desporto como algo educativo. Neste ambiente caminhamos para criar condições sustentáveis para destruir o que poderá restar de bom Desporto.
Recentemente um pequeno e significativo gesto escrito trouxe-me à flor da mente a ideia de que há que fazer perdurar o Bom Desporto. E nesse sentido, há que fazer o possível para não cairmos na tentação de colocarmos o pior dos nossos comportamentos ao serviço de justificar a sofreguidão por ganhar. Como se ganhar ou perder fossem justificações plausíveis para deixarmos de preparar bem as sessões de treino com jovens, investirmos em darmos melhores correções para os nossos jogadores, prepararmos um jogo como se preparássemos um teste de avaliação na escola (criar condições para podermos avaliar os progressos de que quem quer crescer no bom desporto), criarmos uma química de grupo que entusiasme os nossos jogadores, valorizarmos as ações bem executadas ou as decisões que há procurávamos que acontecessem no jogo. E se no final pudermos cumprimentar o treinador adversário agradecendo-lhe o que fez para aquela competição permitir uma boa evolução ou uma excelente oportunidade de podermos vir a ser melhores, então estamos a falar de um Desporto Melhor.
A pressão no Bom Desporto não se assemelha à pressão do Desporto de Rendimento, nem do Mau Desporto. Mas a natureza humana parece não a estar a ser capaz de desencadear uma consciência coletiva que consiga blindar o Bom Desporto. Perante esse contágio o Bom Desporto pode vir a dissipar-se silenciosamente, tal como se dissipam agentes de enorme valor humano e que deram fortes contributos para preservar uma visão sã da atividade desportiva. Na mente de muitos o Bom Desporto será sempre o dos truques, dos berros sem conteúdo, do rendimento esmagando a aprendizagem, da dedicação apenas aos “melhores”, duma visão muito centrada no hoje.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
simplex jurídico - uma piada que faz rir
Um professor da Faculdade de Direito de Lisboa perguntou a um dos seus alunos:
- Laurentino, se você quiser dar uma laranja a uma pessoa chamada Sebastião, o que deverá dizer?
O estudante:
- Aqui está, Sebastião, uma laranja para si.
O professor, furioso:
- Não! Não!
- Pense como um Profissional de Direito!
O estudante pensou um pouco e respondeu:
«Eu, Laurentino Marcos Rosa Sentado, Advogado, por meio desta dou e concedo a você, Sebastião Lingrinhas, BI 6543254, NIF 50829092, morador na Rua do Alecrim, 32, A, do concelho de Vila Nova de Gaia, casado, com dois filhos e um enteado, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva, inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outros títulos, obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes, transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar ou descascar com a utilização de quaisquer objectos ou de outra forma comer, tomar ou ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes; e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer outra natureza ou tipo, fiscal ou comercial, fica assim sem nenhum efeito no mundo citrino e jurídico, valendo este acto entre as partes, seus herdeiros e sucessores, com carácter irrevogável, declarando Sebastião Lingrinhas que o aceita em todos os seus termos e condições, conhecendo perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando, neste caso, o disposto no Código do Consumidor, cláusula 28, alínea b, com a modificação dada pelo DL 342/08 de 1979.»
O professor:
- Está melhor.
MAS NÃO SEJA TÃO SUCINTO!
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Reconhecer a Área Disciplinar de Educação Física como parte da Formação Geral de uma criança e jovem
recebemos este manifesto enviado à assembleia da república por um professor há muitos anos na escola de forma empenhada e sempre reflexiva. num momento em que se perspectivam mudanças na educação há que lembrar a quem decide que a educação é uma só, não havendo disciplinas maiores e mais importantes que outras, por isso marsuilta associa-se a este manifesto por uma educação física essencial na formação de todas as crianças e jovens deste país. e como nos diz joão ribeiro "precisamos de uma disciplina de Educação Física com mais tempo curricular de uma lógica curricular com mais tempo para se aprender e o tempo suficiente para se ensinar".
Exmos Senhores integrantes da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República.sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Obama, ele próprio, afirma em entrevista que os EUA participaram activamente no golpe na Ucrânia
numa entrevista prestada ao canal televisivo CNN feita no passado dia 1 de fevereiro, o próprio presidente dos estados unidos, Barac Obama, confessou com a maior desfaçatez a participação do seu país na Ucrânia, assim: Os estados unidos tiveram uma participação ativa no golpe que levou autoridades pró-ocidentais ao poder na ucrânia em fevereiro de 2014. esta entrevista surge depois da denúncia feita pelo Canal Plus, emissora francesa de televisão, precisamente sobre esta participação estadunidense em Kiev.
o vídeo intitulado as máscaras da revolução é fruto de um trabalho investigativo do jornalista Paul Moreira para aquela emissora francesa, sobre a trágica situação da ucrânia, suas motivações e principais culpados.
provavelmente a entrevista dada em seguida pelo presidente dos estados unidos foi certamente para anular o impacto da denúncia que o vídeo, pode vê-lo aqui, do Canal Plus suscitou, inclusive no próprio parlamento europeu.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Ler para querer
o plano nacional de leitura tem uma década de existência com resultados positivos para as crianças e jovens das nossas escolas. agora este plano vai virar-se para os adultos com ajuda também dos mais pequenos. acreditamos pois que jovens e menos jovens juntos possam de facto ler para querer como escreveu ana susa dias na sua crónica no diário de notícias que deixamos aqui.
artigo do dn de 8 fev.2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
china não é a causa da crise económica global
a desaceleração na china e as quedas nas principais economias emergentes são as causas dos problemas económicos do mundo? este argumento baseia-se, em parte, na alegação de que as economias emergentes impulsionam a economia mundial. enquanto a participação do dólar do PIB mundial da china disparou apenas 4 por cento em 2002 para 15 por cento agora, ainda é muito menor do que a parcela do PIB mundial para os eua, que caiu de 32 por cento em 2002 para 24 por cento nesta altura. Isso mostra a tremenda expansão da economia chinesa. também mostra que os eua são fundamentais para as crises globais, sobretudo porque dominam os sectores financeiro e tecnológico do mundo. perceba o que está acontecer no sistema financeiro mundial no artigo de Heiko Khoo and Michael Roberts. (http://www.china.org.cn/opinion/2016-01/22/content_37638612.htm)
Kim Kyung-Hoon/Reuters
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
a propósito de um testemunho
acontece-nos por vezes na nossa existência quotidiana em que somos compelidos para um modo de viver apressado entre casa e trabalho e demais tarefas ordinárias em que estamos embrenhados, sermos confrontados com determinadas realidades, mais marcantes se forem contadas em primeira mão, numa prova cabal de vidas duras e quase sempre injustas. vida ou vidas que de súbito nos deixam impressionados, curiosos, tristes, mas também, quero crer, revoltados e indignados. é pois por um testemunho que me foi passado que esta crónica acontece.
ler aqui crónica integral de martahluís 2016
https://files.acrobat.com/a/preview/9c966fe5-bde0-49a1-a777-b0f9d8e5f242
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
combate-se o terrorismo na europa com violações de liberdades, direitos e garantias?!!
deixamos aqui parte do editorial do público de 28 jan pois é o espelho dos dias de hoje na europa e mundo: "Lentamente, a intolerância e o terrorismo vão impondo a sua lei, afectando o nosso modo de vida e deitando por terra valores que há muito julgávamos indeléveis. Liberdade política, tolerância religiosa, justiça baseada em códigos democraticamente aprovados, igualdade de oportunidades - são princípios básicos que vão esmorecendo à medida que o medo toma conta do mundo. Na Europa a irracionalidade vai usurpando direitos, liberdades e garantias que séculos de vidas perdidas e muito sangue derramado consagraram como pilares do Estado moderno. Ergueram-se muros na Hungria, controlam-se cada vez mais fronteiras no espaço Schengen, confiscam-se jóias aos refugiados na Dinamarca, tapam-se estátuas no Vaticano, enquanto uma França em pleno estado de emergência, se prepara para fazer uma revisão constitucional musculada contra os direitos civis". e onde a ministra francesa da justiça se demite. também por ser significativa esta demissão marsuilta mostra o artigo de ana Fonseca pereira também no jornal público de 27 jan 2016.
Taubira era vista como a figura mais progressista no executivo de François Hollande Patrick Kovarik/AFP
Ministra da Justiça demitiu-se em protesto contra revisão constitucional que prevê retirar a dupla nacionalidade francesa a condenados por crimes e delitos terroristas. "Escolhi ser fiel a mim mesma", afirmou.
François Hollande abriu a porta e Christiane Taubira, a última representante da “esquerda da esquerda” no Governo francês, anunciou nesta terça-feira a sua demissão. A ministra da Justiça era a voz dos que se opõem à musculada revisão constitucional com que o executivo quer responder aos atentados em Paris e a sua saída culmina a inflexão à direita – no discurso, na economia e na segurança – iniciada pelo Presidente socialista há dois anos.
O jornal Le Monde escreveu que a demissão da ministra, de 63 anos, foi tantas vezes antecipada que a sua concretização acaba por ser uma surpresa. Sobretudo por ter sido anunciada pouco antes de o primeiro-ministro, Manuel Valls, ter apresentado no Parlamento a última versão da proposta de alteração constitucional que incide sobre dois pontos, ambos polémicos: a inclusão na Lei Fundamental das circunstâncias em que pode ser imposto o estado de emergência (actualmente em vigor, mas enquadrado apenas numa lei orgânica) e a cláusula para retirar a nacionalidade a cidadãos condenados por terrorismo.
Taubira, que se opõe sobretudo à segunda iniciativa, tinha já sido afastada da gestão do dossier. Mas a sua posição continuava a ser um embaraço, sobretudo num momento em que o executivo precisa “de uma ética colectiva e uma coerência forte”, recordou Hollande aos seus ministros na reunião semanal desta quarta-feira, citado pelo seu porta-voz.
Oficialmente foi a ministra da Justiça quem se demitiu, durante um encontro com Hollande e Valls, em que todos concordaram que seria melhor sair antes de a revisão constitucional começar a ser debatida na Assembleia Nacional, a 3 de Fevereiro. Fontes citadas pela AFP asseguram, contudo, que a sua partida começou a ser desenhada no final da semana passada, quando Hollande recebeu Taubira no Eliseu antes de partir para a Índia. “Foi a escolha da coerência e [a demissão] permite que se avance na reforma constitucional”, disse ao Le Figaro um conselheiro do executivo.
A Frente Nacional e os Republicanos não tardaram a aplaudir o afastamento daquela que consideram “a pior ministra da Justiça da Vª República” e a quem não pouparam acusações (de laxismo, de minar a autoridade do Estado), nem insultos – Taubira, natural da Guiana, é uma das poucas mulheres negras da política francesa e foi alvo de inúmeras tiradas racistas.
Numa conferência de imprensa pouco antes de entregar a pasta, Taubira defendeu o seu legado – a começar pela aprovação, em 2013, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra os protestos da direita e as manifestações encabeçadas pela Igreja Católica – e explicou que foi “um grande desacordo político” com a orientação do Governo que a levou a sair, depois de tantas vezes ter dito que queria continuar a ser a voz dissonante do executivo. “Escolhi ser fiel a mim mesma, aos meus compromissos, aos meus combates.”
De partida, repetiu o que tem dito desde que, a 16 de Novembro, o Presidente socialista anunciou no Congresso que a “França está em guerra” e iria responder com dureza inédita ao terrorismo que três dias antes tinha deixado 130 mortos nas ruas de Paris. “O perigo terrorista que nos ameaça é grave, mas sabemos como combatê-lo. Não devemos conceder-lhe qualquer vitória, nem militar, nem diplomática, nem simbólica”, disse a agora ex-ministra.
Com a partida de Taubira torna-se quase hegemónica a linha de Valls, da ala mais à direita do Partido Socialista, que Hollande chamou em 2014 para chefiar o governo e com quem tem vindo progressivamente a alinhar-se. O novo ministro da Justiça, o até agora presidente da comissão de leis Jean-Jacques Urvoas, é como o primeiro-ministro um defensor de mão pesada na resposta ao terrorismo, tendo sido relator da dura lei de espionagem aprovada em Maio.
Mas a ministra, que silenciou as críticas a esta aproximação ao centro, era também “uma espécie de álibi do governo para tranquilizar o eleitorado de esquerda descontente com a viragem securitária”, escreveu o Le Monde em Dezembro, a última vez que a sua demissão esteve iminente. Ela garantira que a revisão constitucional não iria incluir a retirada de nacionalidade, o Eliseu veio prontamente desmenti-la.
Apoiado nas sondagens que mostram o apoio da população a uma resposta inflexível ao terrorismo e temendo as acusações de laxismo dos seus rivais de direita às presidenciais de 2017, Hollande mostra-se pouco disposto a contemplações. Já anunciou a intenção de prolongar por mais três meses o estado de emergência – a declaração inicial expira a 26 de Fevereiro e o Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa do país, recusou nesta quarta-feira uma petição que exigia a sua cessação imediata.
E o primeiro-ministro Valls assegurou, durante a audição na comissão de leis da Assembleia Nacional, que a proposta para retirar a nacionalidade aos condenados por crimes e delitos terroristas não faz qualquer menção aos cidadãos binacionais – pressuposto que Taubira dizia ter um pesado valor simbólico, por discriminar os nascidos em França de origem estrangeira em relação aos “franceses de puro-sangue”. Valls adiantou, no entanto, que Paris vai ratificar a convenção de 1954 que proíbe a criação de apátridas, o que na prática impossibilita que a punição seja adoptada contra os que têm unicamente passaporte francês.








